Bety: Não sei o que parece este sossego, de certa
forma tenho saudades da Tixa. Mas vou ter de a esquecer, custe o que custar,
ela agora tem a família dela verdadeira, não me posso estar a meter no meio.
Bety: Não estou a aguentar esta mágoa de não saber por
onde anda Dário e minha filha ou filho, nem sei. Martins, minha irmã
parvalhona, nem sabe o que levou do berço quando entregou o bebé àquela
estúpida da mãe dele que os levou para longe de mim. Como é possível
encontrá-los neste mundo que não tem mais fim? Jamais saberei deles.
Bety: Nada melhor que um banho para acalmar. Depois
vou ao salão de beleza, estou a precisar.
Bety: Parece que fiquei mais nova. Bem, agora vou
visitar a parte comum do prédio.
Bety: Aqui é o hall da entrada para o meu andar, é
muito acolhedor e sossegado. Nem sei se vive mais alguém nestes andares, pois
são um pouco caros.
Bety: Isto cá em cima também tem muito divertimento
podemos jogar e fazer exercício.
Algum Tempo Depois
Bia: Olá!
Bety: Olá! Sozinha por aqui, como te chamas?
Bia: Eu? Bia. E você? É nova aqui no prédio?
Bety: Meu nome é Bety, cheguei hoje, moro no 1º
esquerdo. Quer jogar alguma coisa?
Bia: Eu adoro jogar bowling, você quer jogar comigo?
Bety: Vamos lá então.
Bia: Boa, deitei todas a baixo!
Bety: Boa Bia, a bola é pesada mas você joga bem.
Bety: Estou, quem fala?
Sebastião: É Sebastião Opaco da Associação Criminal de
Menores. A sua queixa já foi apresentada e aceite, quem vai tratar desse
processo sou eu. Preciso falar consigo para recolher alguns elementos, onde nos
podemos encontrar?
Bety: Pode ser na Baixa, no Café Uma e Vinte Cinco?
Sebastião: Combinado, estarei lá daqui a 15 minutos.
Bety: Querida, vou ter de sair, desculpa ter que te
deixar assim mas é urgente.
Bia: Esteja à vontade, vamo-nos ver mais vezes, não
vamos?
Sebastião: É você a Bety?
Bety: Sim, pensava que já não vinha.
Sebastião: É, atrasei-me um pouco, peço desculpa.
Bety: Pensei que vinha sozinho.
Sebastião: Acha que sou eu sozinho que vou tratar do
seu caso?
Bety: Bem, vamos logo arranjar uma mesa que este café
é muito frequentado. D. Elisete, queremos mesa para 5.
Elisete: Só para 4 um terá de ficar noutra mesa.
Sebastião: Vamos já pedir o jantar, pois devemos estar
todos esfomeados.
Sebastião: Bety, passo a apresentar as pessoas que
vieram comigo: Esta é Gesela, é escriturária e vai anotar no seu processo tudo
o que se irá passar. Este da crista é o detetive Jeremias, ele vai atuar em
campo disfarçadamente a partir do ponto onde tudo começou. Aquele ali é
Leandro, investigador. Também vai atuar em campo mas diretamente com as
pessoas.
Bety: Hum… estou a entender.
Sebastião: Bem, agora terá que me contar tudo o que
sabe sobre o caso, nem que lhe custe falar, não omita nada.
Bety: Só um minuto, tenho de beber um pouco de água
pois não me tenho sentido muito bem com o acontecimento.
Bety (pensando): Estará Jeremias atento ao que vou
dizer ou os detetives atuam assim mesmo?
Bety: Bem, quando andava no colégio particular,
namorava com um moço e chegámos a ter um relacionamento. Sem nós contarmos eu
engravidei. Ele sendo menor, como eu, resolveu falar com a mãe dele para que
ela nos pudesse ajudar, pois minha mãe encontrava-se muito doente e não a
queríamos incomodar com essa situação.
Sebastião: Como se chama ele? Você conhecia a mãe
dele? E você vivia só com a sua mãe?
Bety: Ele se chama Dário. Não cheguei a conhecer a mãe
dele porque ela ficou tão indignada com a minha gravidez que nunca me quis ver
nem pintada. Eu vivia com minha mãe e minha irmã gémea, Martins, meu pai já
tinha falecido. Andávamos os três no mesmo colégio.
Sebastião: Então e depois como ficou tudo isso?
Gisela: Ficaram a tocar violino!
Bety: Veja lá como fala menina. Como a mãe dele não
quis saber eu fui obrigada a contar a minha mãe. Então fomos os dois falar com
ela. Como o bebé só nascia depois de terminarmos o curso, prometemos à minha
mãe que arranjaríamos um emprego e cuidaríamos do bebé. Ele assumiu tudo, nós
nos amávamos, tenho a certeza disso.
Sebastião: E então o que correu mal nessa história
toda?
Bety: Só quando minha irmã foi presa, é que eu soube o
que se passou. Quando entrei em trabalho de parto, ainda antes de ter terminado
a escola, levaram-me para o hospital. Como eu estava muito fraca davam-me
medicação para eu dormir e eu não dei por nada. Entretanto a mãe dele foi lá,
espetou com um maço de notas na mão da minha irmã e ela subiu as escadas para
trazer o bebé. Logo depois sumiram e nunca mais ninguém os viu.
Bety: Minha irmã está presa neste preciso momento
porque pegou um bebé de outro berço, para fazer de conta que era o meu, e sumiu
também. Minha mãe não aguentou tanto sofrimento e acabou falecendo.
Gisela: Danada sua irmã!
Bety: Mais tarde, já estava eu a viver na Vila Kachu
apareceu minha irmã com uma menina dizendo que era a minha filha e se chamava
Tixa. E eu criei essa menina, como se fosse minha filha, até sua mãe verdadeira
descobrir e poder vir buscá-la.
Leandro: Resumindo. Neste momento você só tem
conhecimento de que Dário, sua mãe e seu filho, sumiram e não se sabe o
paradeiro deles. Mas e seu filho, como se chama?
Bety: Não sei o nome nem se é filho ou filha. Nem
minha irmã sabe, aquela desnorteada.
Jeremias: Mas Dário não estará conivente com sua mãe
na fuga de seu filho? Ou filha?
Bety: Não, isso não está de certeza, pois minha irmã
diz que além dele não sair do carro, o coitado só chorava e se encolhia aos
berros de sua mãe.
Sebastião: Bem, iremos começar por recolher os dados
de Dário no colégio onde vocês estudaram. Depois lhe direi alguma coisa.
Elisete: Então meus senhores, está tudo bom ou
precisam de mais alguma coisa?
Bety: Ah, ainda nem provei!
Jeremias: Está ótimo, pode trazer a segunda dose, quem
paga é o chefe.
Antes de Bety ir para casa foram acertar mais alguns
detalhes para a sala de espera.



























