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domingo, 19 de agosto de 2012

Capítulo 17 - Processo-crime


Bety: Não sei o que parece este sossego, de certa forma tenho saudades da Tixa. Mas vou ter de a esquecer, custe o que custar, ela agora tem a família dela verdadeira, não me posso estar a meter no meio.




Bety: Não estou a aguentar esta mágoa de não saber por onde anda Dário e minha filha ou filho, nem sei. Martins, minha irmã parvalhona, nem sabe o que levou do berço quando entregou o bebé àquela estúpida da mãe dele que os levou para longe de mim. Como é possível encontrá-los neste mundo que não tem mais fim? Jamais saberei deles.




Bety: Nada melhor que um banho para acalmar. Depois vou ao salão de beleza, estou a precisar.




Bety: Parece que fiquei mais nova. Bem, agora vou visitar a parte comum do prédio.




Bety: Aqui é o hall da entrada para o meu andar, é muito acolhedor e sossegado. Nem sei se vive mais alguém nestes andares, pois são um pouco caros.




Bety: Isto cá em cima também tem muito divertimento podemos jogar e fazer exercício.




Algum Tempo Depois

Bia: Olá!
Bety: Olá! Sozinha por aqui, como te chamas?




Bia: Eu? Bia. E você? É nova aqui no prédio?
Bety: Meu nome é Bety, cheguei hoje, moro no 1º esquerdo. Quer jogar alguma coisa?




Bia: Eu adoro jogar bowling, você quer jogar comigo?
Bety: Vamos lá então.




Bia: Boa, deitei todas a baixo!
Bety: Boa Bia, a bola é pesada mas você joga bem.




Bety: Estou, quem fala?
Sebastião: É Sebastião Opaco da Associação Criminal de Menores. A sua queixa já foi apresentada e aceite, quem vai tratar desse processo sou eu. Preciso falar consigo para recolher alguns elementos, onde nos podemos encontrar?
Bety: Pode ser na Baixa, no Café Uma e Vinte Cinco?
Sebastião: Combinado, estarei lá daqui a 15 minutos.




Bety: Querida, vou ter de sair, desculpa ter que te deixar assim mas é urgente.
Bia: Esteja à vontade, vamo-nos ver mais vezes, não vamos?




Sebastião: É você a Bety?
Bety: Sim, pensava que já não vinha.
Sebastião: É, atrasei-me um pouco, peço desculpa.




Bety: Pensei que vinha sozinho.
Sebastião: Acha que sou eu sozinho que vou tratar do seu caso?




Bety: Bem, vamos logo arranjar uma mesa que este café é muito frequentado. D. Elisete, queremos mesa para 5.
Elisete: Só para 4 um terá de ficar noutra mesa.




Sebastião: Vamos já pedir o jantar, pois devemos estar todos esfomeados.




Sebastião: Bety, passo a apresentar as pessoas que vieram comigo: Esta é Gesela, é escriturária e vai anotar no seu processo tudo o que se irá passar. Este da crista é o detetive Jeremias, ele vai atuar em campo disfarçadamente a partir do ponto onde tudo começou. Aquele ali é Leandro, investigador. Também vai atuar em campo mas diretamente com as pessoas.
Bety: Hum… estou a entender.




Sebastião: Bem, agora terá que me contar tudo o que sabe sobre o caso, nem que lhe custe falar, não omita nada.
Bety: Só um minuto, tenho de beber um pouco de água pois não me tenho sentido muito bem com o acontecimento.




Bety (pensando): Estará Jeremias atento ao que vou dizer ou os detetives atuam assim mesmo?
Bety: Bem, quando andava no colégio particular, namorava com um moço e chegámos a ter um relacionamento. Sem nós contarmos eu engravidei. Ele sendo menor, como eu, resolveu falar com a mãe dele para que ela nos pudesse ajudar, pois minha mãe encontrava-se muito doente e não a queríamos incomodar com essa situação.




Sebastião: Como se chama ele? Você conhecia a mãe dele? E você vivia só com a sua mãe?
Bety: Ele se chama Dário. Não cheguei a conhecer a mãe dele porque ela ficou tão indignada com a minha gravidez que nunca me quis ver nem pintada. Eu vivia com minha mãe e minha irmã gémea, Martins, meu pai já tinha falecido. Andávamos os três no mesmo colégio.




Sebastião: Então e depois como ficou tudo isso?
Gisela: Ficaram a tocar violino!
Bety: Veja lá como fala menina. Como a mãe dele não quis saber eu fui obrigada a contar a minha mãe. Então fomos os dois falar com ela. Como o bebé só nascia depois de terminarmos o curso, prometemos à minha mãe que arranjaríamos um emprego e cuidaríamos do bebé. Ele assumiu tudo, nós nos amávamos, tenho a certeza disso.




Sebastião: E então o que correu mal nessa história toda?
Bety: Só quando minha irmã foi presa, é que eu soube o que se passou. Quando entrei em trabalho de parto, ainda antes de ter terminado a escola, levaram-me para o hospital. Como eu estava muito fraca davam-me medicação para eu dormir e eu não dei por nada. Entretanto a mãe dele foi lá, espetou com um maço de notas na mão da minha irmã e ela subiu as escadas para trazer o bebé. Logo depois sumiram e nunca mais ninguém os viu.




Bety: Minha irmã está presa neste preciso momento porque pegou um bebé de outro berço, para fazer de conta que era o meu, e sumiu também. Minha mãe não aguentou tanto sofrimento e acabou falecendo.
Gisela: Danada sua irmã!




Bety: Mais tarde, já estava eu a viver na Vila Kachu apareceu minha irmã com uma menina dizendo que era a minha filha e se chamava Tixa. E eu criei essa menina, como se fosse minha filha, até sua mãe verdadeira descobrir e poder vir buscá-la.




Leandro: Resumindo. Neste momento você só tem conhecimento de que Dário, sua mãe e seu filho, sumiram e não se sabe o paradeiro deles. Mas e seu filho, como se chama?
Bety: Não sei o nome nem se é filho ou filha. Nem minha irmã sabe, aquela desnorteada.




Jeremias: Mas Dário não estará conivente com sua mãe na fuga de seu filho? Ou filha?
Bety: Não, isso não está de certeza, pois minha irmã diz que além dele não sair do carro, o coitado só chorava e se encolhia aos berros de sua mãe.




Sebastião: Bem, iremos começar por recolher os dados de Dário no colégio onde vocês estudaram. Depois lhe direi alguma coisa.
Elisete: Então meus senhores, está tudo bom ou precisam de mais alguma coisa?
Bety: Ah, ainda nem provei!
Jeremias: Está ótimo, pode trazer a segunda dose, quem paga é o chefe.




Antes de Bety ir para casa foram acertar mais alguns detalhes para a sala de espera.